Seres tendenciosos

Não assisto o BBB. Acho que, se somarmos as 12 edições, devo ter visto o equivalente a uns 10 episódios no total. De ontem para hoje, me deparei com a tal “polêmica” do suposto “estupro” em pleno ar. De lá pra cá, já vi críticas ferrenhas ao tal programa, pessoas vociferando contra a veiculação, pessoas falando contra a Globo (o que eu vejo sempre, de bem antes do programa ir ao ar).

Sempre tento entender os argumentos de quem diz que a Globo é um mal para o Brasil. Afirmam que ela é tendenciosa, incita o povo a ser desligado nos assuntos pertinentes ao país através de seus programas e suas novelas. Enquanto está passando futebol na TV, os políticos estão roubando por baixo dos panos. E muitos outros argumentos.

Dai eu me pergunto: Mas, a Globo passa novelas, programas vazios, futebol, notícias tendenciosas, porque o povo assiste, ou o povo assiste porque a Globo passa? Acho que são as duas opções. Na verdade, é mais a primeira do que a segunda. A emissora em questão só veicula tais programas porque sempre vai haver alguém em frente à TV para assistir.

O que impede alguém de, ao invés de assistir TV, desliga-la e ir assistir um livro? Alguns afirmam que a tv aberta está perdida, e que, quem tem condições, tem melhores opções na tv paga. Discordo. As tvs pagas oferecem opções de canais com 24h de filmes, seriados, documentários, notícias… Mas, produções estrangeiras. E, normalmente quem defende tais TVs, é quem mais critica a predileção do brasileiro por “enlatados” estrangeiros.

Afirmam que a Globo é tendenciosa. Mas, quem hoje não é? Defendemos os nossos interesses o tempo todo. “Puxamos a sardinha pro nosso lado” sempre que podemos. E não existe ninguém que possa dizer “Não, eu não faço isso”. Das opções que temos, SBT também é tendenciosa, Record, Bandeirantes, Rede TV, e por ai vai. Todas elas representam na sua programação aquilo que defende os próprios interesses. Ou é a favor do governo, ou é contra.

Não estou defendendo a tal emissora. Mas, apenas afirmo que cada país tem o povo que merece.

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Nunca fui de dormir cedo. Mesmo na época que eu precisava acordar as 5h da manhã, já que começava a trabalhar as 6h, eu ia dormir tarde. Com o tempo, meu corpo se adaptou a este ritmo, e acabo por me sentir mais criativo neste horário da madrugada.

Algumas vezes ela reclama que eu não vou dormir junto com ela. Faz aquela voz meiga, e eu me sinto culpado por não ir. Na maioria das vezes, fico sentado em frente ao computador, editando fotos, criando, lendo, produzindo. Outras, vendo um video, um filme, ou lendo bobagens.

Quando ela se mudou para cá, trouxe o sofá-cama. E, muitas vezes, acaba dormindo nele antes mesmo de acabar a novela das nove. Se aconchega, os cachorros se enroscam nela, e ela fecha os olhos. Quando dou por mim, ela já está dormindo. Daqui a pouco acorda, num entre sono, e pede para eu guardar seus óculos. Afinal, ela nunca lembra de tira-los.

Eu confesso. Gosto de olha-la enquanto dorme. É um daqueles momentos que consigo apenas observa-la, sem interrupções, sem “O que foi?” desconfiados, ou olhares recriminadores. E eu me pego cuidando dela, do meu modo, entre fotografias editadas ou uma explosão de tiros no filme do Corujão.

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Presente

Ela esperava uma caixa, ou talvez um pacote. Algo enrolado em papel de presente, com uma fita brilhante, colorida, e um cartão. Ao invés disso, ele estendeu um envelope, branco, que passaria despercebido se estivesse sobre uma mesa ou escrivaninha. Dentro, várias folhas de papel, impressas.

– Um conto – disse ele.

– Sobre o que?

– Lê. É o meu presente pra ti. Não és mulher de flores. Sei que gosta de chocolates, mas isso eu posso dar todos os dias. Jóias… Tu é a minha jóia mais valiosa. Me deu a sugestão de um ou dois potes de sorvete. Hehehe. Isso te dou, quando quiseres. Mas, pensei durante algumas semanas sobre o que seria o melhor presente. Te disse várias vezes que sabia o que iria te dar. E, aqui está ele. Este é o teu presente. Me inspirei no fato de também gostar de escrever, e, na verdade, gostar de escrever mais que eu. Agora, só quero que leias.

Ela sentou no sofá já puído, da sala que, alguns dias antes, pensaram juntos em como organizar melhor os móveis, para que coubesse o espaço para poderem ver a novela juntos, e que ele também pudesse trabalhar. Não era um conto muito longo, talvez não mais que 10 páginas.

O conto era sobre eles. De como se conheceram, quase um ano antes. A cada palavra trocada, de acordo com ele, seu namorado tinha mais e mais vontade de estar com ela. O tempo foi um pouco cruel, pois fez com que ele tivesse que esperar longos meses para ter um encontro com ela, melhor que os que vinham tendo.

Quando ele colocou os olhos nela, na primeira vez, ele sentiu que seria a melhor coisa que poderia fazer, ter aquela mulher pequena, porém imponente, na vida dele. Na primeira oportunidade que teve, num gesto que lembrou quase uma reverência, a beijou. E um beijo sucedeu o outro, e o outro, e outro. E o que não tinha prazo para começar, passou a não ter prazo para terminar.

Cada dia do lado dela, de acordo com o narrador da história, era um dia especial para o nosso personagem principal. Ele era um homem emotivo, mas, e talvez justamente por isso, não tinha nunca se deixado “abrir” para uma mulher, da maneira que ele estava se abrindo para ela. E, explicava para si mesmo, sentia que não era um risco, já que durando o tempo que durasse, teria sido um tempo bom. Tinham gostos parecidos para muitas coisas. Se conheceram justamente pelo gosto pela escrita, já que tinham contos publicados em sites na internet, e foi justamente por debates começados destes contos, que resolveram ir além.

Ele nunca foi homem de dar flores. E ela, disse que nunca gostou de receber flores. Elas morriam, por terem sido cortadas. Algumas vezes, quando ele estava na rua, distraído, e via uma flor bonita, ao invés de colhe-la, ele fazia uma foto, e mandava para o celular dela. Esta, ele tinha certeza, não murcharia com o tempo, e ela teria disponível sempre que quisesse, lembrando dele quando a visse.

Ele fez muitas coisas da vida, como profissão. A última, a fotografia, decidiu que iria ser seu ganha pão, além de ser sua paixão. Ela, sedenta por conhecimento, pediu para ele ensina-la. E, a cada nova oportunidade, saiam para fotografar juntos. Ele viu que não era dificil se encantar por ela. De jeito meio, às vezes agitado. Imprevisivel, também. E, com segredos que ele estava sempre pronto para desvendar.

Mas, o tempo juntos poderia ser curto. Ela iria voltar pra sua terra em poucos dias. Ele, então, decidiu que iria tomar uma atitude. Fez de tudo que tinha ao alcanse para que ela ficasse. E ela ficou. Um pouco distante, mas, mais próximo do que ela estaria se voltasse pra casa. Os finais de semana ainda eram deles, juntos.

A convivência criou os lugares preferidos para almoçar nos sábados, os programas de sábado à noite, e as despedidas de domingo ao final da tarde. Sempre trocavam um beijo antes dela entrar no ônibus e ir para a cidade em que estava trabalhando. E, a saudade que durava pelo menos 5 dias, com o tempo, foi mudando para outros sentimentos.

Muitas vezes ele parou para pensar sobre o que estava acontecendo. E, no quanto ele mudou. Ela, de início, reclamava que ele era “grudento”, de não dar espaço para ela, passou a ser alguém que tentava cuidar dela, estar lá quando ela mais precisasse. Ela mudou também. Estava mais paciente com as bobagens que ele dizia ou fazia, com os dramas que ele criava. E, era um porto seguro para ele, pois o apoiava em idéias malucas, tentativas de começar algo novo…

Passaram Natal juntos. Ano novo juntos. Carnaval. O aniversário dela, com panquecas e cerveja. O aniversário dele, com a mãe dele. Páscoa foi cada um para sua família, mas a vontade dele é que estivessem juntos. Ele passou a ficar mais na casa dela, que ela na dele. Ele praticamente foi morar com ela, sem pedir permissão, ou perguntar se era uma boa idéia, a ela.

Ele sempre teve dúvidas se acreditava no destino. Não concordava com a idéia de que as coisas que aconteciam eram responsabilidade dele, e não de uma “mente superiora” que ditava os acontecimentos em ordem de data e horários. Como um bom budista, acreditava que os acontecimentos na sua vida eram decorrentes de reações às suas próprias ações. Mas, conhece-la colocou mais um pouco de temperos nesta dúvida. As coisas, cada vez mais, aconteciam para que correcem até o agora. Para que fossem desaguar no instante que ela tomava o envelope nas mãos.

E, ela leu a última página.

– E o que acontece depois do “agora”? – perguntou.

Ele estendeu várias folhas em branco para ela. “Tu é quem vai me dizer”.

PS: Ândria… Ou “Dinha”, “Xuxu”, “Paixão”… Ou Ândria Sampaio Ortiz… Sempre fui melhor com as palavras escritas, que com as faladas. Nas faladas, acho que sou capaz apenas de dizer que eu te amo, te adoro. Que tu é a melhor coisa que aconteceu na minha vida.

Tanta coisa me vêm na cabeça quando eu te olho. Em pouco tempo (pouco mais de meio ano) já passamos situações episódicas que valem por uma vida. Aprendi coisas que, se eu não tivesse te conhecido, não teria aprendido, ou vivido.

Gosto de te olhar dormindo, do meu lado, no sofá, enquanto eu trabalho. Vejo cada respiração tua. E tenho vontade de te acordar, e te encher de beijos. Mas, isso seria assinar minha sentença de morte, eheh.

Escrevi isso na tentativa de expor uma parcela do que eu sinto por ti hoje. Pra deixar registrado por escrito que tu é a melhor coisa que me aconteceu. E, pra fazer uma pergunta:

– Quer ficar comigo, até amanhã?

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Cereja

A Cereja 

                    lucelena maia

 

 Guardar, das belas cerejas adocicadas,

Prazerosos sabores vividos em regalo,

Tal qual ventura de paixões deliciadas,

Faz, da fruta favorita, uma colheita fácil.

 

Corteja-se, sem pressa e à distância

Acumulando as dispensáveis, em cesto,

Cujo destino deste, em  transbordância...

São cerejas em caldas ou em  refresco.

 

Mas a que brilha aos olhos, a escolhida...

Ah! Aquela, lá no alto, pede total atenção;

Não faz parte do cesto. Sendo ela colhida,

Será deglutida, com a mais suave excitação.

 

Alguns segundos de paladar, e o esquecimento

Do que representou a estimulante investida;

A beleza da fruta aguçou a libido, em detrimento...

Comê-la, por ser bela, justifica a investida. 

Dois Minutos Atrás

Vá mais devagar
Respire fundo e espere por mim
Ainda temos muito tempo
O fim ainda está longe

Dia e noite já se foi
Vontade de ir e ficar
Eu vou nadar contra a corrente
E vou vencer tentando

Agora não há mais fronteiras
Sem limites pra sonhar
Eu vou te ter como te tive
Há dois minutos atrás

Eu quero pressa agora
Não posso mais voltar
Sigo pela eternidade e além
Já não há mais fim nem começo

Mas pra que voltar atrás?
Revirar passado e presente
O futuro é meu destino
Eu quero me libertar

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Inseguranças Masculinas

Ok. Tradicionalmente, são as mulheres que são inseguras, e precisam de um homem cheio de si, seguro, que ande com queixo reto, como se o mundo, que está desmoronando ao seu redor, estivesse intacto. A má noticia: homens também são inseguros.

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Saudades

Saudades, como alguns imaginam, não brota da simples ausência. Aquela ausência de ficar sem mandar cartas, ou emails, ou mensagens do celular. Não brota de não ter notícias, de nem ouvir a voz ao telefone. Não brota de não estar nem ai para o outro, ou achar que o outro não está nem ai pra gente.

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Ação e Reação

Foto de Lise Pereira

Karma, ou Carma, é uma palavra que é meio comum no nosso vocabulário. Sempre dizemos “Fulano é meu karma” ou “meu karma é me envolver com esse tipo de pessoa”. Falando assim, parece que karma significa algo ruim. A palavra vem do sânscrito, língua que Buda falava, 500 anos antes de Cristo, e significa “Ação”. Continuar lendo

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Fluidez



Fluidez

Upload feito originalmente por yb – Yul Barbosa

Foto produzida no ensaio da Rubi, no dia 15 de janeiro, com temática de Dança do Ventre. Escolhemos o tema justamente por ela dançar, e então ficaria a vontade.

Neste dia, minha lente 18-55, a basiquinha do Kit, deu problema, e eu fiz o ensaio todo com uma zoom 75-300, também basiquinha.

O resto do ensaio está disponível em http://yulbarbosa.com/fotografia/2011/01/18/rubi/

Novos Rumos

Além deste blog, eu tinha um outro, O Meia Noite e Quatro, aonde eu deixava minha veia criativa fluir solta, e escrevia alguns contos. Mas, na maior parte do tempo, acabei me dedicando a este blog. E, de uns tempos pra cá, este aqui também está sendo largado as traças, por um monte de coisas que andam acontecendo na minha vida.

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Medos

Quando ela ficou off-line no msn, descobri que tinha me bloqueado. Fui insistente quando ela pediu para eu deixar ela sozinha, para colocar a cabeça no lugar, e deixar a raiva que ela estava sentindo, baixar. Tive medo de perde-la, essa que é a verdade. Medo de não poder mais ligar para ela todos os dias de manhã (mais precisamente, de madrugada), apenas para ter certeza de que acordou, e não perderia o horário do trabalho. Medo de não poder espera-la na rodoviária, nas sextas-feiras ao final da tarde, depois dela ter ficado uma hora trancada num ônibus cheio, louca para ir para casa, deitar no sofá e dormir o resto da noite, até que eu a pegasse no colo e levasse para a cama, abraçasse-a e dormisse junto. Medo, durante a semana, não poder mais aguardar o momento em que ela entrasse no msn, para que eu pudesse puxar conversa com um oi, ou me fazer de difícil um pouco, até que ela puxasse com o mesmo oi, mas não puxando, e me obrigando a puxar.

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A Bela do Dia



A Bela do Dia, upload feito originalmente por yb – Yul Barbosa.

O Momento Certo

Há um livro, The Tipping Point, do escritor Malcom Gladwell, que estou procrastinando (palavra bonita, não?!, mas com significado meio feio, de deixar as coisas pra depois, o famosos “se não der hoje, faço amanha”) em ler. Trata sobre o questionamento que a grande maioria das pessoas faz: o que faz com que algo se torne sucesso da noite para o dia?

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Os números de 2010

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Uau.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Um Boeing 747-400 transporta 416 passageiros. Este blog foi visitado cerca de 4,000 vezes em 2010. Ou seja, cerca de 10 747s cheios.

 

Em 2010, escreveu 109 novos artigos, nada mau para o primeiro ano! Fez upload de 59 imagens, ocupando um total de 4mb. Isso equivale a cerca de 1 imagens por semana.

O seu dia mais activo do ano foi 26 de setembro com 106 visitas. O artigo mais popular desse dia foi Capacidades ‘Observativas’ Masculinas, ou Os Homens não ligam para celulite.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram stumbleupon.com, twitter.com, facebook.com, pt-br.wordpress.com e pessoal.centralblogs.com.br

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por quimica, química, o que um homem procura em uma mulher, mulher feia e melhores lugares do mundo

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

Capacidades ‘Observativas’ Masculinas, ou Os Homens não ligam para celulite setembro, 2010

2

Distancias outubro, 2010

3

“Prova que você me ama” setembro, 2010
5 comentários

4

O que um homem procura em uma mulher setembro, 2010

5

Como saber se estamos apaixonados outubro, 2010
4 comentários

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